O Leão do Mexicano

leao mexicano

Isto que vêm aqui em cima é um leão desenhado pelo Mexicano, há cerca de um mês. Aos dois anos e poucos meses o meu filho desenhou um leão que é infinitamente mais interessante que todas as minhas tentativas de desenhar o bicho a seu pedido.

leao andre
É melhor não mostrar os da Ana.

Passado o período de celebrar os dotes artísticos do Mexicano, é altura de nos debruçarmos sobre as questão essencial que este desenho levanta. E não, não é o facto do Leão apresentar um bigodinho à Hitler. A questão é: o que fazer agora que descobrimos um potencial deste calibre numa casa em que nenhum dos pais alguma vez venceu uma partida de Pictionary?

Para mim, só há duas opções, e nenhuma dela é muito agradável. Adaptando a célebre frase do Homem-Aranha: grandes talentos exigem grandes responsabilidades; e portanto é nosso dever reconhecer e agir de acordo com o potencial artístico do Mexicano. Sendo assim, as opções que temos são:

a. estimular esse potencial para que realize o desígnio de ser um artista de renome.

b. nunca mais deixá-lo pegar num pincel, caneta ou lápis (a não ser que sejam de cera, e ser for para comer).

A opção a. implica pô-lo em escolas especiais, gastar dinheiro em materiais, obrigá-lo a pintar até lhe doam os pulsos, e gritar com ele sempre que não conseguir respeitar as proporções anatómicas de um modelo. É uma trabalheira, uma grande despesa e implica enorme violência (só psicológica claro, que eu sou anti-palmada). O mundo está cheio de artistas falhados, e seria nossa obrigação garantir o seu sucesso (que parece óbvio, mesmo que o leão tenha ali uma pelada no cucoruto).

Claro que esta opção também acarreta o risco do fracasso. Por isso é que sou a favor da opção b.

É uma escolha muito mais lógica. Se ele nunca mais desenhar, ficará sempre o mito de que ele poderia ter sido o melhor pintor de todos os tempos. Sempre que nos perguntassem “e o Mexicano, faz o quê?”, e quiséssemos evitar dar a resposta verdadeira (ter estudado algo rídiculo, tipo “Comunicação”), diriamos que “o Mexicano é o maior artista que o mundo nunca conheceu”, enquanto apontávamos para o desenho do leão pendurado sobre a lareira.

Manteríamos assim a mística do grande artista que nunca alcançou o seu potencial, que é sempre melhor que o sabor amargo do falhanço de sabermos que não alcançámos o nosso potencial. A Ana acha que eu tenho problemas para resolver, talvez tenha razão.

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12 Comments

  1. O desenho da Ana é para lá de espetacular.
    O meu nível pessoal está em: o miúdo de 20 meses reconhece o objeto desenho? Sim? Então está ótimo!

    • de facto, e mesmo assim chegou a líder de uma das potências industriais do mundo… o que é que pode correr mal?

  2. O meu filho de 5 anos, quando lhe mostrei o desenho do Mexicano, sem dizer o que era mas dizendo que tinha sido um menino de 2 anos a desenhar, disse com um ar superior que “ele desenhava mal”. Mostrei-lhe pelos dedos da mão que o menino era muito mais pequenino do que ele e disse que achava que o desenho estava muito giro e que se percebia perfeitamente o que era – e que era um animal. Aí o meu filho olhou com mais atenção e disse que era um leão. Estava difícil!

    • Hmm, o filtro estranhou o teu comentário. (deve ter achado que estavas a vender tatuagens 🙂 )

      Vi o vídeo sim, é giro, e andou por aí a ser analisado em vários blogs. O twist de ser feito por uma empresa de fórmula da-lhe assim um toque especial; mas gostei sobretudo de ver os pais como um dos gangs de pleno direito (embora eu nunca conseguisse fazer parte desse gang de full time parenting, não tenho ‘chops’ suficientes para isso).

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