Pater regressa à Pátria

Nunca tive grande problema com viajar sozinho. Ir passar uns dias a uma cidade, andar uma semana por umas paragens mais remotas, coisas desse género. Os jantares costumavam ser os momentos mais díficeis, dependendo do tipo de sítio em que se está, mas com os smartphones a coisa tornou-se infinitamente mais fácil. Claro que às vezes conhecem-se pessoas, mas a facilidade que tenho em meter conversa com alguém foi sempre proporcional à minha habilidade de fazer o pino – quase nula, excepto durante três meses de 1996, em que o fazia contra o espaldar (não conta?).

Há uma certa ideia romântica do viajante solitário como um adepto da reflexão profunda. Alguém que se dedica à introspecção, alternando dentadas no almoço de jardim com pensamentos aforísticos e cogitações sobre o mundano. Eu também gostava de ser assim. Mas, e não sei nenhuma outra maneira de dizer isso, dá-me mais é para a estupidez. É verdade. A estupidez é a minha grande aliada perante a solidão. Estou o dia todo a pensar em estupidezes, a imaginar estupidezes e a ver estupidezes. Não são estupidezes particularmente engraçadas, profundas ou interessantes, são mesmo só estupidezes.

Por exemplo, um dia típico:

Gostei muito desta escultura porque retrata na perfeição aquele momento desconfortável numa conversa em que reparas que tanto tu como o teu interlocutor têm os mamilos erectos.

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Se alguma vez aparecer algum supervilão milionário e não sabermos onde é que ele se esconde, eu sugeria começar por aquele prédio.

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Peço sempre cerveja em copos pequenos para poder passar o resto do jantar a imaginar que sou um gigante.

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Além disto me acontecer com alguma frequência, faz-me sempre lembrar aquela gaja que tinha 40 anos e fazia de adolescente no Beverly Hills 902460218446 (o antigo).

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Mas correu tudo bem. Ah, comprei também o meu primeiro presente de o “pai foi viajar e sente-se culpado portanto comprou-te um presente à última da hora no aeroporto para que isto passe a ser mais fácil para os dois”. Acho que ser adulto é isto.

Só ainda não decidi se lhe vamos chamar Canibol ou Esfericão.
Só ainda não decidi se lhe vamos chamar Canibol ou Esfericão.

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12 Comments

  1. Eu sou adepto da estupidez itinerante, mas não me limito às viagens a solo. A última das quais, também imortalizada em momento fotográfico, tem-me em frente ao prado, junto à estátua do famoso pintor a tentar reeditar o sempre simpático trocadilho visual de “Lambes Goya”…

    Só ainda não trago presentes para crianças, porque nunca soa bem fazer random child offers no aeroporto de Lisboa…

    • Tens razão, um estúpido é sempre um estúpido (estou a falar de mim), mas quando estou com alguém ainda dá para usar essa pessoa como câmara de ressonância. Sozinho aquilo vai acumulando até que chego a um ponto onde já não me posso mesmo ouvir. É nessa altura que sei que está na hora de começar a beber.

      “Lambes Goya” é bom. Melhor só fosse essa fotografia que tentasses oferecer às crianças no aeroporto. = )

  2. Voto em Canibol (porque cheira-me que vou roubar o Esfericão para mim).
    E Andrea, pá… a Andrea. Era a que eu gostava mais ali no meio, apesar de usar uma roupa muito estranha mesmo para os padrões daquela época.

    • Ahah, sim, a Andrea era a que “escrevia”, e essas coisas, mas parecia tia deles. Para mim, o mais normal acabava por ser o Brian Austin Green, porque era meio esquisitóide mas boa pessoa. E cresceu e sacou a Megan Fox. Portanto – respect.

      Estranho esse teu comentário ninja, que não registou. Como é que fizeste isso? O_o

  3. E andaste por que parte de Itália ? Sempre podias ter trazido um Spirou, o teu mexicano vai seguramente ficar a pensar que uma mochila, que é a versão moderna da mala de cartão, pode ser um convite para se por ao fresco…. Ai pai, pai…

    • Não é uma mochila, é mesmo uma bola. 🙂 Spirou e Fantásio tinham uma das melhores histórias de sempre que basicamente consistia em trips diferentes de cogumelos! Pelo menos é assim que me lembro.

  4. Já estou muito esquecida de muitas histórias… Há pouco tempo reli os Tintins os Asterix, Os Lucky Luke ( isto porque coisas de quase quarenta anos ficam esbatidas no oceano da memória ). Agora ando (again) numa de Corto Maltese, o meu ídolo, e vou intercalando com coisas muito boas. Jã leste o 3′ testamento? São 4 livros. Näo é recente, mas é bom.

    • Não conheço. É isto – http://ilfumettivendolo.altervista.org/dsc/testamento.html ? Parece interessante. Tenho vontade de começar a revisitar uma série de clássicos da infância (bds, desenhos animados, séries) e ver se são merecedores de mostrar à nova geração. Pelo caminho escrever uns disparates sobre isso aqui. O problema começa a ser arranjar tempo para ver as coisas. Já tenho uns 4 episodios de Game of Thrones para ver… nunca me tinha acontecido. O_o

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