O argumento clássico pro-Bullying: ‘aprender que o mundo é um lugar cruel’. A sério?

Assim que sai uma notícia sobre bullying aparece sempre um tipo de comentador de jornal que não perde tempo em partilhar connosco a sua brilhante – e muito original – opinião sobre o assunto.

jim carrey a teclar
“Oh não, mais uma prova que o politicamente correcto nos quer transformar a todos em pessoas decentes e sensíveis – alguém tem de fazer alguma coisa!”

O argumento é algo do género (normalmente apresentado com mais exclamações):

“Estamos a criar uma geração de tótós! O bullying é importante, porque as crianças têm de aprender como é o mundo real!”

concordar interessante
“Ah sim, promover o sofrimento das crianças em favor de uma visão pessimista do mundo, é bastante razoável!”

Curiosamente é uma linha de argumentação muito próxima de um dos argumentos base dos defensores da praxe académica, como instrumento de humilhação (disfarçada de integração):

“a praxe serve para preparar os caloiros para a vida depois da Universidade”

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“Sim! Claro! Onde estariam aqueles estudantes se nunca tivessem esfregado bosta de vaca na cabeça!?”

 

Só posso tentar imaginar o que se passará na cabeça destas pessoas. Como será o seu dia-a-dia?

Que tipo de obstáculos encontram no seu quotidiano?

Será que foram pessoas que cresceram rodeadas de amor, bondade e carinho, e que depois fracassam redondamente em vários (ou todos) aspectos da vida, tipo realização pessoal, dinheiro, trabalho? Ou pessoas que foram abusadas e cresceram como vítimas, mas que mais tarde singraram na vida, compraram um t3 e têm uma carrinha TDI, e agora associam qualidade importantes, como a resiliência e a capacidade de lidar com conflitos, com ser alvo de agressões físicas e psicológicas diárias?

Ou tiveram simplesmente uma infância triste e querem que outras pessoas também tenham infâncias tristes, para se sentirem menos miseráveis na própria tristeza?

partida do kinder surpresa
De acordo com estas teoria, este miúdo vai ser Presidente da República (ou o rei Ghob).

São pessoas que chegam ao escritório e primeira coisa que o recepcionista lhes diz é: “bom dia, ó badocha, e vê lá se hoje andas para aí a fazer alguma coisa de jeito!”. E que levam galhetas no caminho para a máquina do café?

panda jerk
Para não falar naquele tipo específico de panda idiota que toda a gente tem no seu emprego.

Eu sei que o bullying no trabalho é um problema muito grave. Já trabalhei com perturbados mentais que riscam carros ou furam pneus a colegas. E há sempre aquelas histórias de pessoas que, não raras vezes, acabam a chorar em casas-de-banho.

poop cry
Felizmente, no meu caso, costumo estar sempre do lado não chorão da porta.

Mas será que a melhor forma de lidar com pessoas mesquinhas, cruéis e invejosas, é achar que não se deve lutar contra a crueldade sistemática nas escolas? Na infância?

É melhor que os nossos filhos sejam maltratados do que contribuir para que tenhamos crianças que não maltratem os outros? Será que o mundo não é já um lugar suficientemente mesquinho, aleatório e merdoso, para que não tentemos torná-lo num sítio um pouco menos merdoso?

É impossível viver sem que a realidade se encarregue de nos dar umas chapadas* nas trombas,

*ou um sinal de trânsito

E há de ser sempre assim. Mas ao menos devemos tentar que não seja por sistema.

A não ser que tenha piada inconsequente:

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