O verdadeiro problema de acabar com a distinção de género nos brinquedos Happy Meal do McDonald’s (e não só)

Confesso que ao início achei que o McDonald’s dizer que ia acabar com a discriminação nos brinquedos para rapaz ou rapariga no Happy Meal era algo bom. Mas, depois de debater com algumas pessoas, percebi que era só mais um caso sintomático do exagero sexista politicamente correcto que aflige a nossa sociedade de pensadores-livres.

Defender que andamos há milénios a construir uma civilização em cima dos nossos imperativos biológicos, e que somos bem mais que predisposições genéticas, fazendo cada vez menos sentido categorizar brinquedos como sendo de “menino” ou “menina”? Não faz sentido nenhum.

Felizmente, fui sensibilizado para os reais perigos disto acontecer. E, não se preocupem, vou ajudar-vos a perceber.

mansplaining
Preparem-se para um belo momento de “apaisanasplaning”.

Vou ilustrar com cenários reais e fictícios, para perceberem melhor:

Cenário 1 – a realidade retrógada (a de que ninguém gosta, mas que acontece):

Um miúdo vai ao McDonald’s, pede um Happy Meal, o empregado dá-lhe o Happy Meal de Menino, com os Transformers. Ele não gosta de Transformers, pergunta, embaraçado, se pode ter o outro. O de menina, como diz lá no poster. O pai diz que não, ele que deixe de ser “mariconço” e de comportar “como uma menina”.

Fica um clima estranho.

Cenário 2 – a realidade boa (a que resolve os problemas todos e torna isto numa não-questão):

Um miúdo vai ao McDonald’s, pede um Happy Meal, o empregado dá-lhe o Happy Meal de Menino, com os Transformers. Ele não gosta de Transformers, pede o do My Little Poney, aquele que diz lá que é “de menina”. O empregado olha para o pai, o pai anui. O empregado entrega o brinquedo ao miúdo. Fica um clima estranho. Em casa, o pai explica ao filho que a sociedade às vezes tem estes preconceitos, mas que ele não deve ligar, que é verdade que o My Little Poney é um brinquedo de menina, mas que também pode ser um brinquedo com que os meninos brincam, só não pode ser é um brinquedo unissexo, que isso é estupido, porque na realidade é um tipo de brinquedo de que as meninas estão geneticamente predispostas a gostar, há estudos, é como gostar de pessoas do sexo oposto, é o “normal”, o que não quer dizer que ele [o filho] seja uma menina, ou que exista algo de errado em ser uma menina, claro, mas que ele tem de concordar que seria absurdo passarmos a dizer que estes brinquedos não são de menina nem de menino, que são brinquedos, nada disso, onde é que já se viu, excepto na Imaginarium, ou na Target, ou na Amazon, que são organizações extremistas, é melhor não ligar, vai lá brincar com o teu brinquedo de menina que também é aceitável para meninos, e não te preocupes que isso só quer dizer que és um menino que gosta de brincar com brinquedos que só as meninas é que deviam gostar, nada mais que isso, e boa sorte em encaixares isto no teu cérebro de oito anos quando estiveres a ser achincalhado na escola, ou por estranhos na rua, por gostares de coisas de meninas como seria “normal”, há estudos, mas não ligues que o pai gosta muito de ti.

Fica um clima estranho.

Cenário 3 – o que vai acontecer com a mudança de política do McDonald’s (ou, o que querem os maluquinhos):

Um miúdo vai ao McDonald’s, pede um Happy Meal. O empregado pergunta se ele quer o dos Transformers ou do My Little Poney. Ele diz “o do My Little Poney”. Minutos depois a civilização acaba, porque num mundo em que o “Optimus Prime” deixa de ser definido pela sociedade como um “brinquedo de homem”, as pessoas deixam de conseguir distinguir entre os dois sexos. Procriar torna-se muito confuso. A raça humana extingue-se. O plano das feministas triunfa. Fim da História. O clima normaliza, porque já não há humanos à face da terra.

É óbvio que o cenário 2 é o ideal. Para quê chatearmo-nos, ou arriscar o fim da humanidade? 

Este não mexe. Peço imensa desculpa.
Este não mexe, lidem com isso.

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7 Comments

    • 😀

      Mas não, não estás a ver bem, isso é igualdade estéril, é acabar com o direito à diferença de todos os rapazes gostarem de bolas e as miúdas de bonecas, como é que o nossos filhos sabem a que prateleiras devem ir no supermercado para escolher um brinquedo, se não estiver lá nenhum sinal a dizer a indicação do género? Isso e o apocalipse, claro. Não te metas nisso.

  1. Pois eu acho que a solução mais simples é o Happy Meal só ter uma opção de boneco disponível: umas vezes são elas que ficam contentes, maioritariamente, outras vezes são eles. Não gostam? Ofereçam a quem goste.

    • Esse é a solução diplomática. 🙂 Mas, deixando a ironia no post, eu gosto bastante da solução encontrada: há dois brinquedos, os miúdos escolhem o que gostam mais. E assim viva o direito de gostarmos de coisas diferentes, sem ser preciso colar-lhes rótulos!

  2. “8. Os brinquedos não têm sexo. Não é a forma como os rapazes brincam com bonecas ou as raparigas com carrinhos que estraga as crianças na sua relação com a identidade. Mas o modo como o pai e a mãe se dão como modelos, com equívocos (levando a que nem sempre apeteça, quando se cresce, ser como eles), ajuda a isso.”- Eduardo sá em http://www.paisefilhos.pt/index.php/destaque/8426

    • Exacto. É que tentar explicar a um miudo que não faz mal ele gostar de brinquedos de menina mas que o “normal” seria ele não gostar, é dos contra-argumentos mais equívocos que tenho andado a ouvir nos últimos dias.

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