Crónica de Viagem: um fim-de-semana em Madrid

Desde que o Mexicano nasceu, há cerca de três anos, nunca mais viajámos juntos para fora de Portugal. Até aos seis meses, deixá-lo com alguém mais do que uma noite estava fora de questão (para nós e também para os avós, creio). Até aos 12 meses, era pouco prático, por causa da amamentação. A partir do primeiro ano, surge a questão da Ana só ter férias em Agosto, altura do ano em que o sector turístico se lembra que pode cobrar o dobro pelas coisas, já que quem trabalha no sector educativo só pode ser milionário. Depois aparece uma nova gravidez, a austeridade aperta um pouco, e este ano tínhamos voltado a decidir manter as férias de Verão dentro da esfera familiar, e do país.

Felizmente, a boa surpresa do reembolso do IRS possibilitou alguma rectificação orçamental, e confrontados com a iminência de mais um ano em que a Ana não pode tirar um dia de férias fora de Agosto, achei que podia ser boa altura para fazer uma viagem. 

O processo foi mais ou menos assim.

– Ana, já não viajamos há tanto tempo, embora passar uns 3 ou 4 dias fora do país no fim de Agosto?
– Ah, parece-me ser boa ideia! E os miúdos também iriam…

naoepergunta
“?”
huh
“Aquilo foi uma pergunta? Não pareceu ser uma pergunta”.

Ah! Claro que não é uma pergunta. É uma condição. Está certo que eu fantasiei imaginei que os miúdos podiam não vir, mas depois percebi que não tínhamos ninguém para ficar com eles durante quatro dias. Não queriamos estragar as férias de ninguém.

– Huh, claro que sim.
– Boa, vamos!

Escolher o destino

Depois tivémos de escolher o destino. Queria uma cidade que nos fosse minimamente familiar, para podermos estar sem sentir qualquer pressão de conhecer. Pensei em Roma, Praga ou Barcelona, mas depois vi quanto custavam viagens de avião para cidades europeias para duas pessoas, uma meia pessoa, e um bebé, em Agosto.

Carro podia ser uma alternativa. Há alguma capital internacional ao alcance de uma viagem razoável de carro a partir de Lisboa? Claro que sim, até há duas!

Rabat e Madrid


E em qual delas não corremos o risco de ser parados pela polícia, descobrirem um bocado de haxixe de 2006 num buraco dos estofos do meu carro e eu acabar preso numa prisão marroquina?

Madrid e Marrocos

Viva Madrid!

Preparar a viagem

Quando souberam do nosso plano, algumas pessoas levantaram dúvidas sobre a competência da nossa carrinha 206, com quase dez anos, aguentar-se bem numa viagem de seis horas para Madrid. Nada disto me apoquentava. Como a maioria dos portugueses temos um carro a gasóleo sem qualquer tipo de justificação racional ou económica para isso, o que quer dizer que a carrinha ainda tem muitos quilómetros para fazer.

Ainda assim, por precaução, resolvi que era melhor carregar o ar condicionado, que tem andado preguiçoso. A boa notícia foi que descobri uma promoção da Groupon para carregar o gás do AC por 18 euros, mesmo ao lado de casa. A má notícia foi que o mecânico me perguntou se o carro alguma vez tinha mudado a correia de distribuição.

Larry David confuso

E miúdos, foi assim que um cupão de 18 euros se transformou numa conta de quase 400 euros.

Marketing da GROUPON 1, Família à Paisana 0.

A viagem

A viagem não foi muito confortável, mas fez-se bem. Um dos problemas do carro ser pequeno (e de eu ter um metro e 90) é que tenho de ir a conduzir com o banco puxado à frente e os joelhos quase em cima do volante, por causa das cadeiras deles. Eles vão os dois virados para trás, como mandam as recomendações, mas eu tenho de conduzir como um velho pitosga.

Conseguimos que os miúdos dormissem a maior parte da viagem, o que ajudou bastante. A Ana perguntou se eu não estava cansado e ofereceu-se para guiar. Só que ir de dez em dez minutos a tentar controlar gritos e choros, procurar chuchas caídas no meio de bancos e brinquedos, ou a tentar que eles bebam água sem se molharem todos a mais de 100 km por hora, não me pareceu grande descanso. Acho que também lhe devia ter perguntado se ela estava cansada e queria guiar (mas eu sou um anormal).

A parte mais desconfortável da viagem foi quando o Mexicano acordou e começou num misto de choro, urros e gritos, sem razão aparente. Foram dez minutos nisto, não percebíamos o que se passava. Demos-lhe o iPad para a mão e calou-se. Eram só dores de aborrecimento.

Eu também fico agitado quando estou numa sala de espera e fico sem bateria no telemóvel.
E eu também fico agitado quando estou numa sala de espera e fico sem bateria no telemóvel.

A parte mais engraçada da viagem foi quando, ainda na segunda circular, o Mexicano perguntou oito vezes seguidas se “já chegámos? já chegámos? já chegámos?”. Eu achei que ele estava a fazer referência a esta piada do Shrek, mas a Ana diz que ele nunca viu tal coisa. É mais um cliché de “coisas que todos os miúdos dizem” para a caixa, ou um pormenor interessantíssimo e revelador da ontologia infantil, consoante a vossa perspectiva.

Parámos para almoçar em Mérida. O restaurante que estava em primeiro lugar no TripAdvisor tinha bom aspecto, era recordista de cortar presunto, e servia tapas. São três critérios que procuro sempre num local para fazer refeições. Pedimos um prato de atum com pimentos, outro com presunto e queijo, e outro de almôndegas. O Mexicano comeu praticamente o pata negra todo, devorou metade das almôndegas e recusou-se a provar o atum. Além de comer bem, não é estúpido.

Não tivemos tempo de ver Mérida. Havia lá umas cenas romanas, mas estavam 35 graus e havia fraldas para mudar dentro de um carro a ferver. Não foi uma cena bonita.

 

O Hotel

Como íamos poupar na viagem, e sabendo que em Agosto as temperaturas em Madrid atingem os trinta e muitos, achei que devíamos ficar num hotel que cumprisse dois requisitos: ter piscina e não ter alcatifas com aspecto duvidoso.

alcatifa shining
Mesmo se tiverem valor sentimental.

Nos últimos tempos viajei algumas vezes sozinho, geralmente em trabalho, e tem-me calhado recorrentemente o dilema “ficar no centro em hotel merdoso ou longe do centro em hotel decente?”. E tem-me calhado quase sempre o hotel merdoso, com a alcatifa dos anos 80 (mas sem psicopatas e, esperamos, micoses).

Não havia muitas opções que cumprissem estes critérios, dentro de um preço razoável. Uma delas era o Dear Hotel Madrid, um boutique hotel with panoramic terrace. Não sei quem foi a inteligência de nível mundial que configurou os parâmetros de busca online que indicasse um “hotel boutique” como adequado para uma busca por um quarto para 2 adultos, uma criança e um bebé. Mas se eles deixavam que eu fizesse a marcação, problema deles.

Dear Hotel Madrid

Espero mesmo que ninguém tenha sido despedido depois de dois adultos esgazeados de uma viagem de seis horas terem parado o carro em plena Gran Via à porta do hotel boutique, e terem despejado duas crianças irritadas, duas malas de viagem, dois carrinhos de bebé com aspecto de terem andado a passear nas planícies do Serengeti, e dois sacos do pingo doce com pacotes de fraldas, brinquedos e bóias. O porteiro engravatado veio ter connosco e perguntou se tínhamos reserva, dei-lhe a chave do carro e disse no meu melhor portuñol: “si, ahora parca masié el coche”.

Estacionar no estrangeiro
Nunca percebo nada de estacionar no estrangeiro.

Passado este momento “que paródia de férias”, percebemos que o hotel era mesmo impecável, a localização óptima, entre a Gran Vía e a Praça de Espanha, e a vista espectacular. Como tivemos de marcar um quarto suficientemente espaçoso para os quatro, calhou-nos uma varanda premium e vista sobre toda a praça. Mal chegámos e arrumámos as coisas fomos conhecer a piscina “panorâmica” no terraço do último andar (ou a Sky Pool como eles lhe chamavam). Como seria de esperar, pelas fotografias de ângulo estranho, era um tanque ridículo onde a água nos dava pela cintura. Mesmo assim, cumpria perfeitamente a sua função: fazer-nos sentir que estar numa piscina panorâmica no 14º andar de um hotel fazia de nós melhores pessoas que as formigas que andavam pelas ruas com 40 graus.

Madrid

Madrid
Já tinha estado em Madrid algumas vezes, e fico sempre impressionado pela majestade do sítio. Não só por ser a capital, literal, de um reino, mas porque se sente mesmo que é uma
grande cidade. As avenidas são enormes e cheias de vida, mas há sempre uma ruela ou uma praça que aparecem com algo de interessante. No centro da cidade a arquitectura é monumental, muitas vezes imponente, mas sem ser opressiva. Tem o tridente de museus citadino mais forte da Europa: Prado, Thyssen e Reina Sofia, cuja visita podia dar equivalência a um curso de de História de Arte na Moderna. E também tem madrilenos e madrilenas, a passear, a comer, a falar alto, e famílias a passear na rua às dez da noite – que é uma visão rara em Lisboa.

Os programas

Eu e a Ana temos um entendimento quase perfeito em viagem. Os dias devem ser repartidos em partes iguais de cultura, exploração geográfica e comida e álcool. Com os miúdos, e dois padrões de sestas divergentes, sabíamos que ia ser complicado fazer programas muito estruturados, por isso resolvemos nem tentar.

A tarde em que chegámos estivemos a descontrair na piscina, demos uma volta pela Plaza de España e acábamos a jantar num restaurante de má memória, em que deixámos metade de uma paella demasiado salgada e um rasto de destruição de guardanapos e migalhas de pão espalhadas pelo chão. Depois crashámos no quarto, e às oito e meia da manhã já estávamos na rua a tomar o pequeno almoço.

Jardim zoológico

zoo madrid

No primeiro dia em que acordámos passámos a manhã no jardim zoológico. O jardim zoológico de Madrid fica na zona da Casa de Campo. A Casa de Campo, tecnicamente, é um parque público mas quando se chega lá a sensação é que se está mesmo no campo. São cerca de 1750 hectares, onde se encontra o zoo, um parque de diversões, e outros pontos de interesse. Até 1930 pertenceu à Coroa Espanhola, e era onde a família real costumava caçar. Aparentemente, o rei Juan Carlos às vezes esquece-se que aquilo já não é da família, e anda por lá aos tiros aos flamingos do zoo. É por isso que hoje já não o deixam sair de casa.

O Zoo é interessante. Não tenho opinião muito estruturada sobre zoológicos, mas parecem-me ser um mal necessário. O de Madrid está um pouco acima do Jardim Zoológico de Lisboa, por ser maior e ter também uma parte de aquário. A dupla dos tigres de Bengala impressionou-me, e a proximidade a que vemos os ursos pardos também. Leio bastantes artigos sobre lutar com ursos (nunca se sabe), e sei que os pardos são do piorio.

Centro de Madrid

Depois de almoçar regressámos ao hotel para la siesta. Ao fim da tarde fomos dar uma volta pelo centro. Subimos a Gran Via, andámos pela Puerta del Sol e pela zona da Ópera. Estava muita gente na rua, não me lembrava de ver Madrid tão turística. Confesso que tinha alguma curiosidade para ver se ainda sentia as diferenças de escala cosmopolita entre Madrid e Lisboa de forma tão acentuadas como nas minhas últimas visitas. Lisboa cresceu bastante como cidade e como destino turístico nos últimos tempos, para o bem e para o mal, mas Madrid continua noutro nível.

Madrid Noite

 

No caminho de volta para o hotel íamos desviando por algumas ruas interiores para tentar encontrar um sítio para comer. Fomos parar à Plaza de Santa Maria Soledad. A praça não é muito bonita, de um lado tem uma série de edifícios clássicos, em vários tons de pastel, do outro um par de mamarrachos pseudo-brutalistas com janelas e caixilhos de alumínio. Mas o cenário era acolhedor. Estava um final de tarde de Verão perfeito, quente mas tolerável, o sol já desaparecia enquanto pessoas em esplanadas viravam cañas e mojitos.

No centro da praça um grupo de miúdos jogava à bola, e espreitámos uma esplanada com bom aspecto entre uma esquadra de polícia e uma loja de chineses, nas arcadas dos prédios feiosos (com vista para a parte gira). A frequência era uma mistura de turistas e locais, a lista parecia um pouco pretensiosa, mas cumpriu. Regressámos ao hotel satisfeitos, e foi uma boa noite: a Xica só acordou duas vezes aos berros, e conseguimos convencer o Mexicano que às seis da manhã não era boa hora para ele ir brincar com os bonecos.

Parque Del Retiro

Passámos a manhã seguinte no Parque del Retiro. O Parque del Retiro é um jardim gigante, quem tem claramente um problema de aproveitamento de espaço. É como se a ideia original fosse “vamos fazer um parque gigante para que os portugueses sintam sempre a sua insignificância quando cá vierem”, e depois andaram a inventar coisas para pôr lá dentro, tipo “aqui fica um coreto gigante”, “nesta parte vamos por um lago enorme e estúpido para ter pessoas com ar infeliz a andar de kayak”, “ e não podemos esquecer-nos de colocar lá também um Palácio de Cristal… o que é isso? é um nome chique para uma estufa inflacionada”.

Palacio Cristal Madrid

Tirando isso, é um sítio lindíssimo e um óptimo local para passear. A Xica ainda dormiu uma sesta e ensinei o Mexicano a jogar às escondidas: ele a esconder-se e eu sentado num banco a ler.

Depois do Parque fomos na direcção do Reina Sofia, o mais contido dos museus do Triangulo del Arte, onde achei que ia expor os meus filhos ao poder da Guernica e mudar a vida deles para sempre (com o trauma). Só que o poder da esplanada sobrepôs-se à bicha que dava a volta à porta do museu, e ficámos ali a almoçar num restaurante italiano que nem era a armadilha turística que prometia ser. 

O fim das férias

Voltámos para o hotel e, depois de uns “mergulhos” na piscina, fomos dar uma volta. Com um pouco de nap hacking conseguimos que os dois coincidissem numa sesta de final de tarde. Deu para beber mais duas cervejas em paz e sossego. Mas não durante muito tempo, porque entretanto levantou-se uma tempestade “tropical”, com trovoada e ventania, e só deu tempo de apressar o passo para chegar ao hotel e tentar não rir da cara assustada do Mexicano quando acordou com uma rabanada de vento ciclónico na cara.

Acabámos o dia (e as mini-férias) com um jantar no restaurante do hotel, que esteve à altura das vistas panorâmicas que tanto apregoa no site. Brilharam as entradas de tártaro de tomate, umas gyozas de carne e uma desconstrução de gaspacho (qualquer dia dizem-nos que vamos comer uma “construção” de qualquer coisa e ficaremos impressionadíssimos quando vier o prato normal para a mesa). Os principais também não estiveram nada mal. A última parte do jantar revelou-se complicada na gestão de humores da Xica e do Mexicano, mas a Ana antecipou a cena, e efectuou uma retirada estratégica e deixou-me apenas com a tarefa difícil de pagar a conta e acabar o vinho.

Sem bebés à mesa ia ser bastante mais fácil.
E sem bebés à mesa é sempre mais fácil beber vinho.

Epílogo*

O Terry Pratchett escreveu algures que a razão para irmos embora é podermos regressar. Com novos olhares, novas cores. Que voltar ao sítio onde estávamos não é a mesma coisa que nunca termos ido embora. Tenho tido a sorte de poder ter feito algumas viagens ao longo da vida, e não há nenhuma que não recorde com carinho. Por mais desinteressantes ou desconfortáveis os sítios em que tenho estado, houve sempre alguma coisa que eu trouxe.

Claro que esta viagem não foi desinteressante, ou desconfortável (excepto em partes isoladas), pelo contrário. Mas não é descabido perguntar se valeu mesmo a pena andar 12 horas de carro para passar três noites em Madrid, com um bebé e uma criança de 3 anos, e temperaturas a rondar os 40 graus. Sem poder sequer ir ao Prado e ficar descobrir um pormenor novo nas Meninas do Velazquez, porque achámos mais divertido ver um tapir no zoo de Madrid – e sabendo que nenhum dos miúdos se vai lembrar desse tapir no resto da vida deles.

A resposta é óbvia, claro que valeu. Depois de umas férias com avós, primos e tios, foi especial podermos estar só os quatro. Ainda melhor ser numa cidade muy bonita, inspiradora e cheia de gente que também parecia empenhada em ter bons momentos e aproveitar as coisas boas da vida. Também tenho de admitir, para mim que gosto muito de ter “o meu tempo” foi especial poder estar com eles tanto tempo de seguida, e ver que bem funcionamos como a mais coesa unidade de turismo – a família. A família em viagem é caos e organização, tensão e cumplicidade, mas sobretudo recompensa.

É por momentos destes que trabalhamos e aturamos os outros ao longo do ano, para poder passar os dias com preocupações como “quero ir visitar um palácio ou ver arte moderna?” ou “peço a cerveja de meio litro ou aposto nas pequenas?”. A nossa única expectativa para a viagem era: vamos divertir-nos sem ninguém ficar doente? Eles podem não lembrar-se da viagem, mas nós nunca a vamos esquecer. Foi a nossa primeira viagem ao estrangeiro em família, e foi o melhor que poderia ser.

*”Epílogo”? Eu sei, mas sempre quis ter um post com epílogo, e também ninguém chegou até aqui.

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18 Comments on Crónica de Viagem: um fim-de-semana em Madrid

  1. A minha ressaca por uma viagem é de tal forma grande, que consegui ler o teu longo post do principio ao fim. Eu cheguei à conclusão que fins de semana prolongados pós-filhos não me satisfaz e já avisei o marido que para tirarmos férias com eles, tem de ser uma semana seguida senão prefiro ficar por aqui (viaja-se menos mas viaja-se mais tempo, enquanto que dantes viajávamos mais e menos tempo). É que a logística de coisas para levar e trazer é de tal forma, que sinto que é uma trabalheira fazê-lo por três dias, mesmo que seja dentro do país. Uma pessoa estava habituada a fazer a mala em três segundos e ir aqui e ali por pouco tempo que rendia sempre e agora chego a ter de escrever uma lista para não me esquecer de coisas e andar a comprar em duplicado no destino, para além de que as viagens geralmente são cansativas (o meu filho quase não dorme no carro, centenas de quilómetros são uma aventura de paragens em parques infantis de todas as estações de serviço para ver se ele fica estafado só que depois não fica) e quando chego é estilo “ah maravilha, descanso!” o que não se coaduna com um regresso duas noites depois. Fico frustrada, quero mais 🙂 E se é assim com um, imagino que com dois este desejo de prolongar estadia se intensifique. Outra condição é ficarmos alojados num apartamento, acabaram-se os quartos de hotel, com bebés/crianças preciso de uma cozinha e de uma sala para me refugiar noutra divisão enquanto se dorme a sesta. Tirando estas condições e esquisitices minhas, acho que viajar em família é mesmo muito recompensador, íamos fazê-lo para fora pela primeira vez em conjunto e entretanto toma lá, engravidei outra vez, pelo que não faço ideia quando retomaremos (desconfio que vai demorar muito). De qualquer das formas, apesar de adorar ir para fora, também gosto de sair cá dentro e tenho para mim que da próxima vez, quando a oportunidade surgir não será a quatro mas sim a dois e aí sim, apenas um fim de semana. Tou mesmo precisada desse balãozinho de oxigénio sem filhos 🙂

    • Eu também estou, mas tenho de guardar (ou esperar por) esse trunfo para a altura certa (onde a eventual manutenção deles se compatibilize com a eventual disponibilidade de alguém em ficar com eles). Até lá aprendi a aceitar de bom grado o que aparecer (sejam 2, 3 dias, 4 ou 5 malas). 😀

    • Deixa-me só encarnar o papel irritante do “pai mais experiente só por uns meses”, e dizer aquele clássico de que com o segundo fica tudo mais prático. As malas para Madrid foram feitas em menos de uma hora, creio. Ok, que tivémos de ir ao Corte Ingles comprar umas coisas que davam jeito, mas ir ao Corte Ingles em Madrid é quase incontornável. 🙂 Nesse sentido até achei que as três noites foram boas (acho que quatro tinha sido ideais), mas isso foi porque interiorizei que as férias eram family time > me time. 😉

      • Também senti que neste verão, tendo ele dois anos, foi muito mais fácil do que o anterior. Também não tive sorte com os boiões quando ele era mais pequeno. À excepção da fruta, só comia o que era feito em casa, o rapaz é esquisito e lá andava eu com varinha mágica atrás, entre outras coisas. Após o ano de idade a comida começa a ser a mesma que a nossa e isso facilitou muito. Para além das comidas, notei que a bagagem diminuiu noutras coisas. Por isso é que com dois, tenho aquela ideia que vamos retornar a esse ponto durante algum tempo. E o carro vai precisar daquelas malas que se metem por cima, não temos espaço para uma agulha quando vamos de férias na situação actual, portanto, vai ter mesmo de ser. Fiquei curiosa de dizeres que tiveste de meter o banco para a frente por causa das cadeiras. É que aqui temos o mesmo dilema. Um seat ibiza não dá para ter duas cadeiras ao contrário, sem que o condutor vá apertado e quase a bater com os joelhos e tão cedo não pudemos comprar outro carro. Cheguei à conclusão que será preferível uma delas ir na direcção da marcha (a do mais velho, claro) do que arriscar a uma condução menos confortável por parte de quem tem a responsabilidade de conduzir. Mas confesso que não gosto nada da ideia de ter de o meter já nessa posição… fico assim meia na dúvida.

        • Não é uma questão fácil. No nosso caso é desconfortável, mas faz-se. MAs neste momento ela ainda está no ovo (não é tão grande como ele era, e estamos a seguir a indicação do pediatra de ‘até a cabeça sair por cima’), portanto é ligeiramente menos mau do que ter duas cadeiras grandes virados para trás (e mais fácil de tirar). Também já pensei em virá-lo para a frente agora com os 3 anos, mas não me apetece muito. Trocar de carro agora também não dá muito jeito, portanto acho que é isso que vai acabar por acontecer.

        • O meu receio é que seja perigoso, em termos de tempo de reacção para travagem, pelo facto da perna estar mais encolhida. Eu noto que com a perna mais esticada, os reflexos são diferentes (ou seja, que ao estarmos a querer mais segurança na cadeira, não estamos na verdade a criar condições para maior probabilidade de acidente).

        • não sinto muito esse problema, mas deve ter a ver com a minha posição de condução, em que finco os calcanhares (tenho sempre a base das solas desgastada), portanto não movo muito as pernas. O que me parece perigoso é o facto de ter pouco espaço em caso de colisão… mas o Google diz que devem ser no minimo 25 cm do volante ao esterno, acho que até é mais que isso.

          Esta troca de comentários está a entrar em grandes especificidades, aposto que vai atrair bastantes pesquisas no futuro. 😀

        • ah ok, eu mexo as pernas. por norma meto a descansar o pé da embraiagem mais ao lado esquerdo e daí ser mais fácil quando a perna está esticada reagir em caso de travagem. bom, mas tu já lá estás com o pé, não será perigoso. quanto muito ficas com aquele ar todo encolhido, peito quase no volante, com os pés sempre no mesmo sítio, como os que acabam de aprender a conduzir. ehehehe, desculpa, não resisti.

        • Acho que não é bem assim, mas de facto esta conversa está a ficar muito específica e neste momento já questiono tudo; até me apetecia que aparecesse aqui algum velhadas a dizer que no tempo dele não havia mariquices, e que o carro andava com os pés a correr no chão, como naquele desenho animado. :->

  2. Ainda só me estou a iniciar no conceito de férias com mini-cidadãos, mas no meu outro eu anterior gostei muito das duas últimas vezes que passei por Madrid. Mas também foram viagens para ir correr a maratona lá da terra, portanto não sei se o tino também esteve lá, mas o gozo é certo que sim.

    Tanto que da última vez, vai de loucura eu inscrevo-me na maratona, a Patrícia na meia e, 2 semanas depois em Setembro soube-se que vinha aí novo elemento para a troupe. Resultado, no final de abril deste ano, fui eu correr a maratona e um amigo meu correr a meia, claramente insatisfeito por no dorsal dele dizer ‘Patrícia’.

    Mas, não me importava de voltar lá em trio e, qual mariquinhas de lycra, cortar a meta com a criancinha ao colo 😀

    • Se o teu filho sair a ti imagino-o aqui a alguns anos a dizer (ou a escrever): “é bom ir de férias com o meu pai, o único problema é passar o tempo a correr”. Bom, ou algo do género. 😉

  3. Este post veio aguçar a minha vontade de ir a Madrid, desta feita com a cria atrás… As primeiras férias com filho correram bem, ou não tivessem sido com os avós na praia, por isso estou na expectativa sobre ir ou não um fim-de-semana alargado a Madrid com o pequenote atrás.
    A 1ª dúvida que tenho é sobre a alimentação, pois ele só come sopas com carne ou peixe, mas também não passará fome se comer uns boiões de compra durante uns dias.
    Depois vem a questão do hotel ser childfriendly e não ser longe do centro ou com carpetes dos anos 80! Por isso, caso não se importe de divulgar, pode fazer o favor de indicar qual o hotel em que ficaram?

    • Pouco antes da viagem a Xica começou a comer dois pratos, mas na viagem utilizámos a táctica do boião, e correu relativamente bem (havia uns de que ela não gostava). Mas pão come sempre, portanto não passa fome.

      Não tinha posto um link para o hotel no texto, é mesmo aquele que está lá Dear Hotel em Madrid. Não acho que digo no texto, não acho que seja propriamente child friendly, mas queria mesmo marcar alguma coisa com piscina. Não indo no Verão, imagino que se encontrem coisas muito decentes, e mesmo mais baratas, no centro (utilizei o booking.com). A alternativa de alugar apartamentos também faz bastante sentido com crianças, mas em poucos dias não creio que seja relevante (além de que a “experiência hotel” também é ser divertida).

  4. Adorei a crónica e li até ao fim 🙂 Eu fui menos corajosa e viajei para fora do país com as minhas duas com elas mais crescidas. Mas fiquei com vontade de regressar a Madrid em família 🙂

  5. Este ano Madrid foi o destino das viagens de carro. Também lá fui (fomos) em família. Com o miúdo dele e os três engalfinhados num quarto, que apesar de ser “on the go” tinha uma área para quartos de família. Foi a minha experiência nesse registo e acabou por ser melhor do que imaginava. Nenhum dia-a-dia é tão cheio de pessoas como nas férias, porque ali não há grande fuga quando “já não aguento contigo a respirares”. E no final fiquei com a sensação que todas as gargalhadas, os quase 60 kms que fizemos a pé em 4 dias, nos tornaram mais próximos e mais cúmplices. E apesar de partilharmos a vossa forma de estar “Os dias devem ser repartidos em partes iguais de cultura, exploração geográfica e comida e álcool.”, conseguimos perfeitamente reunir as condições todas para comida e álcool tendo uma criança connosco. No final, foi mesmo “o melhor que poderia ser”.

    P.S. Obrigada pelas gargalhadas que proporciona em cada post!

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