3 videojogos para quem tem saudades de um bom jogo de computador – Steam Sale

Para o processo de recomposição das ressacas da passagem de ano, sejam físicas ou existenciais, e adiando ligeiramente os primeiros passos para a renovação do nosso melhor eu; venho propor-vos uns jogos de computador, vulto videogames, ou, em português-não-soa-muito bem: videojogos.

fuck this shit
A reacção de 90% dos leitores deste blog, neste momento.

Gosto de jogar um videojogo de vez em quando. Normalmente, uns quatro, cinco, por ano, ou em PC ou em iPad. A minha última consola foi uma Wii, comprada numa altura em que tinha vida social e a esperança de que a simulação perfeita de manusear um lightsaber estaria perto dos videojogos (não está). Nos últimos tempos tenho jogado mais em PC, e não me parece que vá saltar tão cedo para a próxima geração de consolas.

É uma maneira de estar na vida.
É uma maneira de estar na vida.

Na possibilidade de haver por aí pessoas que ainda gostem de jogar ocasionalmente no PC, sem estar sempre a par das novidades, aviso que a loja Steam (vende jogos online por download, além de fazer muitas outras coisas em benefício da Humanidade) está num dos seus clássicos períodos de saldos lunáticos até dia 3 de Janeiro. Há imensa coisa por onde escolher, a preços ridículos, como o Max Payne 3 por 4€, o Grand Theft Auto 4 por 5€ ou o Mark of The Ninja por 3 €.

E para quem, como eu, que já passou a fase mais intensa dos videojogos, mas não consegue deixar de sentir um certo desprezo pelos casual gamers e os seus Tiny Tower e Candy Crush (estou a brincar, mãe); e tem alguma curiosidade para ver o que de bom tem sido feito nos últimos anos, deixo aqui algumas recomendações de alguns clássicos recentes em que vale mesmo a pena perder tempo.

#1 – Braid

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O Braid é um jogo indie, foi criado e desenvolvido à margem dos grandes estúdios. É um puzzle platformer, onde, simplificando, o objectivo é andar aos saltinhos de um lado para o outro recolhendo objectos, evitando coisas desagradáveis e tentando perceber como se conseguem activar os elementos certos para poder passar para o próximo nível.  Pensem em Super Mario misturado com Lost Vikings, se forem o género de pessoa de perceber essas referências.

O génio de Braid reside no facto do tempo ser um dos elementos centrais do jogo. Há níveis em que é possível fazer rewind, nunca morremos, enquanto noutros o tempo avança se andarmos com o boneco para a direita, e retrocede se andarmos na direcção contrária. O jogo introduz outras mecânicas, como haver objectos que estão fora da dimensão temporal que conseguimos manipular (ou seja, há dois planos temporais com que temos de jogar num determinado nível), ou termos um anel que cria distorções à sua volta no fluxo temporal.

Além destes conceitos, que nos dão aquelas boas dores de cabeça, o jogo também é uma crítica aos clichés e todo o comercialismo que tomou conta da indústria dos videojogos da actualidade, e tem um narrativa que podemos experienciar (jogar) várias vezes, e na qual vamos sempre percebendo significados diferentes.

Está a 4,5 € euros na Steam Store.

#2 – Portal 2

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O Portal 2 também é um puzzle platformer, mas é visto da perspectiva da primeira pessoa (olhos do jogador). É uma sequela ao ligeiramente menos brilhante (só peca por menos extenso) Portal, mas acaba por ser uma experiência muito mais densa, com uma muito boa narrativa (um dos meus heróis da escrita humorística web – Jay Pinkerton – trabalhou no jogo) e cenários que fazem um fã da arqueologia urbana apocalíptica passar-se da cabeça.

É diferente do Braid em vários aspectos, sobretudo no facto dos puzzles envolverem mais física e de tudo decorrer num cenário futurista com armas que abrem portais e robôs que nos querem matar, além de ter uma experiência de jogo completamente diferente. A dificuldade está presente na medida correcta, tem um modo cooperativo para jogar online, e as actuações (voz) dos actores estão soberbas. O facto do Stephen Merchant (Office, Extras, Hello Ladies, etc.) dar voz a um dos personagens principais é um toque muito simpático.

Está a 7,49 € na Steam Store.

#3 – Skyrim

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Um jogo em que podemos pedir para nos tirarem  fotografias de férias.

O Skyrim é um RPG, role-playing game, em que assumimos a pele de um ser (pode ser homem, mulher, homem-gato, whatever) que descende de dragões e que acaba por ter uma vida super ocupada relacionada com monstros, grutas, quezílias políticas e guerras civis. O mundo do jogo é enorme, composto por várias cidades, e temos aquelas escolhas clássicas de poder ser bom ou mau, vira-casacas ou cretino, com especialização em poderes mágicos ou em dar facadas.

A história é interessante, os cenários são incríveis, e a componente de acção (as lutas, no fundo) é muito apelativa, o que torna o jogo uma experiência recompensadora para quem gosta de viver e construir narrativas quando joga. O Skyrim tem uma particularidade interessante, é possível passar todo o jogo à margem da história principal. Podemos passar um mês inteiro a trabalhar numa horta a cultivar batatas, e depois inventar que o nosso personagem teve um ataque de esquizofrenia e decidiu assassinar a aldeia inteira, antes de nos juntarmos a um culto de lobisomens e casarmos com o nosso escudeiro. Isto sem fazer nenhuma missão da história principal. É esse tipo de jogo.

Está a 14,99 € na Steam Store.

#4 – Civilization

Ía também recomendar o Civilization V. Os Civilization são aqueles jogos em que tomamos as rédeas de uma das grandes civilizações da Humanidade, desde que somos apenas um punhado de colonos, até construirmos um império mundial que esmague todas as outras civilizações pela força, cultura ou desenvolvimento científico. Pelo caminho vamos interagindo com outros grandes líderes históricos (o Ghandi é o pior), aprendendo sobre a história da humanidade e fazendo escolhas cruciais no sentido de orientar o nosso crescimento científico, territorial ou demográfico. Eu ia recomendar o Civilization, mas, a última vez que o instalei andei a dormir uma média de 4 horas por dia, o que teve de ser terminado com um uninstall abrupto do jogo.

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True story.

Mas está a 7,49€ euros, portanto se não tiverem família, responsabilidades ou sono…

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3 Comments

  1. Não recomendas/encontras nenhum jogo que ponha em confronto várias doutrinas de medicina, do género medicina ocidental, homeopatia ou medicina tradicional chinesa. Já tenho título “Paciente Zero”, mas ainda estou a trabalhar na história/jogabilidade 😉

    (eu sei, é um comentário bastante idiota para um post sério sobre gaming, mas creio ainda estar inebriado pelo consumo excessivo de doces)

    PSS ((eu sou o mais antigo user português ainda em actividade num determinado jogo de manager online, portanto aceito o teu post de braços abertos))

    • Também deve haver um mod no Skyrim desse género, mas deve chamar-se ‘The Tale of the Annoying Skeptic’ 8).

      Falando em manager, não sei se conheces, mas o Brian Phillips do Run of Play (agora do Grantland) escreveu, há uns anos, uma série incrível de posts sobre a saga dele como manager da mítica equipa italiana Pro Vercelli.

      Imagino que, pelo menos para um post, também deves ter material dessa epopeia. 🙂

      PS – eu a tentar que outros também escrevam sobre gaming.

      • O que tu foste fazer, não conhecia, mas já estive a ler uns quantos e aquilo é matéria que gente doente como eu aprecia (ou não fosse eu um gajo que quando era puto fazia conferências de imprensa em voz alta a comentar os meus resultados e transferências em jogos de bola).

        PS – O teu intento foi conseguido, tenho no prelo duas “pérolas” – uma sobre os tais 12-13 anos de manager e outra sobre o fenómeno fantasy leagues que, embora não sendo gaming clássico, faz parte do misterioso mundo de “jogos online”, muito típico de machos pós-modernos com traços de geek.

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