O Clube dos Avós – as 6 regras do Clube dos Avós

Maçonaria, Opus Dei, Illuminati, clube de fãs do Saúl Ricardo. Sociedades que podem ser mais ou menos secretas, mas que se regem por um conjunto muito específico de regras e códigos, apenas acessíveis aos iniciados de cada um desses grupos.

O Clube dos Avós não é muito diferente. Uma agremiação em constante expansão, e uma pedra basilar no equilíbrio da família. Ainda assim, por vezes, esse não deixa de ser um equilíbrio precário. Para funcionar tem de obedecer a uma série de preceitos e normas. Não é fácil ser avô ou avó. Há um conjunto de regras a respeitar, e que muitas vezes a sociedade não compreende. Estas são algumas das que tenho vindo a descobrir.

Avós Fight Club
E a primeira regra do Clube dos Avós é… toda a gente fala de ser avó.

Regra #1 – Os avós vão dizer a toda a gente que conhecem que vão ser / são avós

Quando fizerem um plano de anúncio da gravidez à família e amigos, tenham em atenção o poder de comunicação dos avós. A partir do momento em que anunciam a novidade aos vossos pais, vão sentir dedos nervosos a começar a ensaiar a marcação de todos os números memorizados no telefone de casa. Se o anúncio for feito no típico almoço ou jantar em casa dos vossos pais, a partir do momento em que saem da porta e demoram a chegar a casa, tios, primos, avós, e muitos amigos já tiveram conhecimento da novidade. E pior, vão-vos cobrar não lhes terem dito nada.

Regra #2 – Os avós vão dizer a toda a gente que não conhecem que vão ser / são avós

O que une carteiro, o senhor da tabacaria, o canalizador e o dono do restaurante de take-away da zona dos vossos pais? Certo, todos eles sabem o dia em que vocês foram pais, o tamanho da criança, a cor dos olhos dele e se vocês são pessoas de chuchas de borracha ou silicone.

Há todo um universo de individualidades que vocês nunca viram e que de repente passam a gravitar na vossa vida. É a Dona Idalina que “disse que o Mexicano era lindo”, ou o “Sr. Rodrigues que ficou indignado por saber que o pai veste a roupa do filho ao contrário”.

O Sr. Rodrigues.

Regra #3 – Tudo o que os filhos estão a passar? Os avós já passaram por pior.

O filho / pai: “Estou de rastos porque a noite passada o Mexicano acordou de hora a hora, de manhã tive de lhe mudar a roupa três vezes e cheguei atrasado a uma reunião importante”.

O avô: “Isso não é nada. Houve uma noite que tive de te remover o apêndice em casa com um kit de costura de avião, enquanto descobria como se programavam as horas no VHS que tinhamos comprado. No dia a seguir fui trabalhar e descobrir o antídoto para a chuva ácida. E foi por isso que nunca mais ninguém falou em chuva ácida.”

Regra #4 – O pediatra do neto é um ignorante

Na escala de pessoas que percebem da saúde dos vossos filhos estão: avós, bisavós, tios, vizinhos, cão da família, pediatra e vocês, os pais, por esta ordem.

O pediatra tem dez anos a estudar medicina, vinte anos a exercer pediatria, centenas, se não milhares, de crianças observadas? Não percebe nada! Constipação? Deve ser mas é uma faringite, como aquela que tiveste em 1980. Medranço? Nada disso, deve ser uma dermatite atópica, como a da mulher que foi ao programa da tarde. Cólicas? Não são nada cólicas, é apenas a reacção dele à incompetência do pediatra.

"Sim, avó, eles dizem que me vão continuar a aspirar o nariz. Pois, não sabem nada..." (meme original)=
“Sim, avó, eles dizem que me vão continuar a aspirar o nariz. Pois, temos de lidar com esta incompetência…”
(meme original)

Regra #5 – As noites em que o neto fica em casa dos avós são as melhores noites da vida dele.

A possibilidade dos avós ficarem com os netos é, provavelmente, um dos poucos factores que impede a emigração portuguesa de ser ainda maior. É um privilégio e uma sorte que algumas pessoas ainda conseguem ter.

Há uma certa aura de mistério que caracteriza as horas em que o neto fica com os avós. Porta-se sempre lindamente, adormece rápido e até ajuda a levantar a mesa. Parece bom demais para ser verdade? Aproveitem e não façam perguntas.

Regra #6 – Assim que o neto entra no campo de visão de um dos avós, este tem a obrigação de o arrancar imediatamente dos braços opressores dos pais

Lembram-se de como, desde que saíram de casa dos pais, a relação com eles se pareceu solidificar? Os jantares servem para matar saudades, uma garrafa de vinho para lembrar bons tempos, as despedidas são mais sentidas e os cumprimentos mais efusivos? Isto é até aparecerem os netos.

Quando se chega a casa dos avós, ou quando estes entram em vossa casa, activa-se de imediato um olhar perscrutador que tem como único objectivo localizar o neto. Assim que o vê, tal qual míssil atraído pelo calor, avança de braços estendidos para o arrancar resgatar das vossas mãos. Uns quinze minutos depois, se tiverem sorte, “olá, tudo bem?”.

Há uma excepção, que é se o bebé estiver a dormir. Neste caso, e após a vossa advertência de que “o bebé adormeceu agora, vamos deixá-lo dormir que a noite foi má”, os avós concordam de imediato com um “claro que sim, deixa-me só colocar a minha cara a dez centímetros da dele e ficar aqui um bocado e… olha, acordou!”.

“Então, bebé, estás a dormir? “.

Portanto, o que estas regras querem dizer, no fundo, é que os avós são orgulhosos, optimistas, prestáveis, disponíveis, protectores e capazes de uma devoção excepcional, de um amor sem limites – e que tem a felicidade de poder ser mais desregrado que o dos pais. Os avós é que já ganhavam o prémio de Património da Humanidade.

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10 Comments on O Clube dos Avós – as 6 regras do Clube dos Avós

  1. Não tenho sogra mas uma tia que faz o mesmo efeito e sim o “deixa-me só colocar a minha cara a dez centímetros da dele e ficar aqui um bocado e… olha, acordou!” é mesmo verdade! AHAHAHAHAH

  2. LOL ahaha 🙂 😀

    estou mesmo a “ver”!!!! (vou levar nas orelhas pelo comentário)

    Mas, menino é verdade sim senhora! As avós tem quase sempre razão e muito fundamento no que dizem.

    Agora, imagina as histórias que El Mexicano vai contar aos filhos ….

    Hasta la vista

  3. vim reler este porque pensava que ainda não tinha lido. Tenho de discordar na tua teoria na parte das noites com os avós… Aplicável também às horas da refeição com os avós.. dizem sempre ah não, não se preocupem ele comeu tudo muito bem! E ah, não, ele comigo dorme sempre muito bem, nunca acorda nem chora. Depois quando se esmiúça a testemunha (mania de ofício), é que começamos a ver as fendas no argumentário. Afinal, a avó sabe embalá-lo muito bem e ele adormeceu de novo (ao fim de 2 horas a meio da noite a embalar); afinal fez uma grande berraria na hora da sopa e tiveram de intercalar com fruta e ainda assim só comeu 1/3 da tigela…
    Mas sim, é muito bom , uma dádiva dos deuses ter avós de quem posso fazer estas queixinhas 🙂

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