A decisão de ser Pai

Antes dos trinta não pensava muito no assunto. A partir daí, e à medida que a relação se tornava mais sólida, entrei no clássico de ‘quero ter filhos mas não já’, que é uma forma óptima de mostrar que temos maturidade suficiente para assumir um compromisso que não é um compromisso. É como uma promessa de campanha.

Entretanto não sei bem o que se passou, não me lembro exactamente de ter decidido que queria ter um filho, mas sei que um dia concordei que queríamos ter filhos. Da mesma maneira que dizem que as mulheres têm um relógio biológico, os homens também têm um mecanismo biológico de sobrevivência que nos diz: ‘não vais vencer esta discussão, faz como te dizem, a espécie humana conta contigo’. A partir desse momento deixei oficialmente de ter motivos para não querer ter um filho. Foi ter passado do ‘ainda não’ para o ‘porque não?’.

Vamos ter um filho? Claro. Para o ano? Claro.
Vamos ter um filho? Claro. Para o ano? Claro.

Passadas umas seis semanas (‘não te preocupes que é processo para demorar aí uns seis meses’, lembro-me de me terem dito), acordei com a notícia de que ia ser pai. Eram sete da manhã de um Domingo e acho que ainda estive acordado uns quinze minutos a pensar “oh deus porquê porquê porquê porquê?”. Depois voltei a adormecer. Toda a gente diz que se tem de aproveitar todos os momentos para dormir, e, enfim, eram sete da manhã de um Domingo, não são horas de acordar as pessoas.

E agora? Podem ir à página dos melhores posts (escolhidos por mim), subscrever o blogue por e-mail (se forem esse tipo de pessoa), ou fazer 'gosto' na página do Facebook e ter acesso a mais paisanices:

34 Comments

  1. Welcome back! (eu sei, os pontos de exclamação não estão na moda e são pirosos, but I don’t care.)

    Já fiz pub no meu blog para os dinossauros que continuam por cá e não se esqueceram de ti. E para os novos também. 🙂

  2. 🙂 obrigado, às duas! (também já me rendi ao ponto de exclamação, isso de não gostar era muito anos 00; e, com tempo, hei-de chegar também à alegria demente do ‘!?!?!?!’).

  3. Ahahaha e eu que nao fazia ideia que a minha amiga ursa te conhecia de antes.

    é como eu digo, isto é uma cena de arqueologia da bloga.

    • ‘Bem escrito e com humor’? Onde? 😀

      Haverá dias em que se acerta mais que outros, mas estamos cá para escrever – obrigado!

  4. Parabéns, e aproveita de facto para dormir porque depois acaba-se, e fala quem ja tem experiencia de 2 já homens mas não se esquece das manhãs de sábado e domingo às 6 e 7 a despertar, 1º leitinho depois histórias. Felicidades para o pai e para a mãe

  5. Olá! Li agora o post e identifiquei-me em tudo… menos na última parte “E porque não?”… Não consigo de todo ter esse sentimento, essa vontade! Sou mulher, tenho 30 anos, sou casada e tenho uma vida estável… e sou tão feliz assim com o meu marido, que não nos falta mais nada! Ainda bem que tenho ao meu lado alguem a quem o relógio biológico também deixou de funcionar!… Mas acho que faz muito bem, afinal, precisamos de bebés, o país precisa de aumentar a taxa de natalidade… Se todos fossem como eu, rapidamente a idade media da população passava para 70 anos! 🙂 Um beijinho e muita sorte nesta nova fase!

    • Obrigado! Acho muito compreensível. Nem tem de ser um relógio que deixa de funcionar, é mais haver vários tipos de relógios, cada um tem a sua maneira de ver o tempo e de olhar para as coisas.

      Do “porque não” ainda fui parar ao “mas porquê?”. Pode ser tema para um futuro post. 🙂

    • E ser-se mulher com 35 anos, ter-se decidido há uns meses que ‘bora lá a isto porque senão passas da idade, depois queres e já não podes’, e não conseguir, mesmo assim, NÃO arranjar resposta para o ‘porque não’?
      É que se conseguem arranjar dúzias de motivos para ‘não’, especialmente hoje em dia, sem empregos garantidos e senhorios que não estão para fazer caridade a ninguém…

      Não é fácil… É um ir às cegas, como um tolinho, para um desconhecido que tem 1001 probabilidades de correr mal a muitos níveis.

  6. Olá André!
    Welcome Back!!!

    ( mas meu querido… conheces o fenómeno da depressão pós-parto? Com posts destes arriscas-te a ter uma mummy triste by your side. E eu sei que que não nasceu ontem…….. mas… todos os argumentos para a depressão são válidos! )

    • Hey Ana, obrigado!

      Não gosto de falar pela mummy mas acho que ela é a minha maior fã. E se eu dissesse qualquer coisa em contrário do que está aqui escrito, além de saber que eu estaria a mentir, tenho a certeza que não ia achar piada nenhuma. 😉

    • Obrigado, Beatriz. Também hei-de escrever sobre as minhas extraordinárias capacidades de procrastinação (como o dia em que procrastinei a ler artigos sobre procrastinação), mas por enquanto vou adiar. 🙂 (é ‘bem-vindo’).

  7. Olá, bem vindo!!!!
    É tão bom ter blogs escritos pelos pais (homens) é ter uma nova perspectiva, ver o outro lado, e acredite ou não, muitas vezes ajuda a perceber o que se passa na cabeça do meu marido!!!
    Mts bjs e obrigada pela partilha das suas experiências:)

    • Obrigado, Ana. Às vezes até pode ser o oposto, haver certas coisas que só se passam mesmo na minha cabeça, e aí até é útil para dar mais valor – não que seja preciso – ao seu marido. 🙂

  8. Welcome Back!

    É um gosto ler-te! E a minha larga experiência (de 1 mês a mais que tu) diz-me que vais ter muito assunto para “postar”!

  9. Obrigada ao blog da Família de 3 e 1/2 por me encaminhar para este blog. Adorei,e alias,já esta na minha lista de favoritos. É bom ver homens a escrever sobre paternidade. Bem vindo,e sem duvida vou ser seguidora.

  10. A noticia que ia ter um filho (primeiro), foi dada a meio de um filme que estava sozinho na sala. Achei uma brincadeira de momento, pois houve muito pouco “trabalho”. Mas depois de apresentarem as provas…não houve como refutar.
    O pensamento do momento foi “começou, as engrenagens que vão mudar a minha vida, começaram a girar”. Mas continuei a ver o filme, já não havia mais nada a acrescentar ou a fazer. Os dados estavam lançados.

    Só me senti pai, e pai assustado, quando prendi o “ovo” pela primeira vez à porta da maternidade. Sentei-me no lugar da frente, olhei para trás…e senti-me pai. Pai assustado.
    Pois não fazia a mínima ideia de como iria ser, como iria fazer, etc.

    boa sorte e até ele/ela nascer….aproveita a vida, depois vais ter de ajudar e estar presente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*